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As resoluções e legado da COP26, conferência da ONU sobre mudança climática




Terminou, no dia 13 de novembro, em Glasgow, na Escócia, a COP26, o maior evento sobre mudança climática organizado pela ONU. A COP acontece todos os anos, porém a de 2021 foi ainda mais importante, pois marcou o início da última década para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovados em 2015, e as metas do Acordo de Paris, definidas na COP21, em 2016. O compromisso da COP21 era que os países agissem para reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa, com o objetivo de limitar aquecimento do planeta em até 1,5°C até 2100 – idealmente – e nunca chegando a ultrapassar os 2ºC, comparado aos níveis pré-industriais de temperatura global, e neutralizar as emissões totalmente até 2050. A COP26 foi o momento de os países revisarem seus compromissos e atualizá-los, de acordo com a necessidade global e sua capacidade de ação, e numa expectativa que aumentassem as suas ambições considerando os dados mais recentes publicados.


O novo relatório do IPCC onde estamos e porque é tão urgente agir e aumentar a ambição?

A COP26 está acontecendo no momento em que o Painel Intergovernamental em Mudanças Climáticas – Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) – está lançando seu 6º Assessment Report (AR6). O relatório é desenvolvido por centenas de cientistas de todo o mundo, organizados em três grupos de trabalho, cada um com um recorte específico de pesquisa. Os resultados do Grupo I, focado em apresentar o estado da situação atual, acabaram com qualquer dúvida: as ações humanas de emissão de gases de efeito estufa são responsáveis pelo aquecimento do planeta, e isso é apresentado pela primeira vez dentro de um índice de certeza muito elevado, como dado provado. O relatório também mostra que a temperatura média global já subiu em 1,09ºC e, com as emissões continuando no ritmo atual, será impossível atingir a meta de 1,5ºC como ambicionado. Esse cenário poderá encaminhar a humanidade para um cenário catastrófico, com o aumento no número de eventos climáticos extremos – como secas e inundações – trazendo impactos tão diversos quanto perda de habitats naturais e de espécies, mas também diminuição de safras o que coloca diversos grupos humanos em riscos ainda mais elevados de vulnerabilidade e sobrevivência.


Ainda, de acordo com pesquisa do CAT (Climate Action Tracker), principal coalizão de análise climática do mundo, e publicada em 09 de novembro em Glasgow, considerando as metas estabelecidas pelos países na COP26, o aumento da temperatura poderá atingir 2,4ºC até o final do século, excedendo desde já o limite de 2ºC e ficando bem distante da meta inicial de 1,5ºC. Esse cenário pode trazer efeitos irreversíveis e um aumento exponencial de efeitos devastadores para a vida humana no planeta. Para reduzir o ritmo de emissões e impedir esse cenário, seria necessário que os países assumissem compromissos muito mais ambiciosos, promovendo a transformação dos setores de energia, transportes e alimentação.


Lembremos que, em 2019, o IPCC lançou o relatório sobre uso da terra, informando como os sistemas alimentares são responsáveis por uma média de 30% das emissões globa