• Roberta Curan

Food commons: as dimensões dos alimentos

Atualizado: 22 de dez. de 2021



De acordo com os dados do relatório "O Estado da Insegurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI) 2021" – publicado pela Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em julho de 2021 – entre 720 a 927,6 milhões de pessoas passavam fome no mundo, em 2020. Vale lembrar que antes da pandemia da COVID-19 o mundo já não estava a caminho de acabar com a fome até 2030, e agora a situação fica ainda mais complicada.


Este texto se baseia nas seguintes reflexões: Será que parte do problema da fome ocorre pelo fato de os alimentos serem considerados apenas como mercadoria em um contexto em que são, em geral, adquiridos por meio de relações mercantis? Será então que propor diferentes graus de mercantilização dos alimentos ou até mesmo uma visão em que os alimentos sejam vistos como bens comuns poderia fomentar uma maior democracia alimentar?


A ideia de pensar os alimentos como comuns está inicialmente em deixar claro que os alimentos são compostos por múltiplas dimensões tais como: necessidade humana básica, determinantes sociais e culturais, agentes de poder, direito humano, bem privado, bem público, comuns (do inglês, “commons” - conceito que adiante se explicará), commodity, além de aspectos de prazer, sabor e comensalidade. No entanto, o sistema alimentar global reduz, em geral, a compreensão dos alimentos apenas para a dimensão de commodity, ou seja, mercadoria. O fracasso do sistema alimentar global pode estar atrelado a este fato, considerando que se trata de um sistema que produz comida em excesso, mas não é capaz de garantir o acesso equânime ao alimento, por todos, simplesmente usando as leis de mercado (VIVERO POL 2018, p. 4).