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Sistemas Alimentares e COVID-19: atualizações Julho 2020



Em outro texto no blog refletimos sobre os impactos da pandemia de COVID-19 nos sistemas alimentares de forma global com o texto "vai faltar farinha no meu pão?", dividido em dois artigos. Contribuímos para a matéria lançada no TAB UOL sobre o mesmo tema, que você pode conferir aqui.


Monitoramos e fomos compartilhando medidas que as cidades brasileiras estavam tomando em relação à manutenção da alimentação das crianças durante o fechamento das escolas.



Os impactos da pandemia de COVID-19 nos sistemas alimentares ainda são imensuráveis, trazem à tona questões existentes e apontam vulnerabilidades, na medida que escancaram o nível de resiliência que temos. Seguimos acompanhando alguns dos impactos, que compartilharemos aqui nos próximos meses, para que você possa saber um pouco mais, ou se aprofundar mergulhando nos diversos hiperlinks sobre cada assunto.


Abaixo, as atualizações principais do mês de Julho.


O que comemos muda o mundo.

COVID-19 & Fome.

A Oxfam publicou o informe "Vírus da Fome: como o coronavírus está aumentando a fome em um mundo faminto", onde aponta que milhões de pessoas serão empurradas para a situação de fome no Brasil e no mundo.

Essa afirmação também foi trazida pelo SOFI, e pela publicação da Unicef na revista científica The Lancet.

A FAO lançou uma página para trazer dados atualizados do impacto do coronavírus em sistemas alimentares ao redor do mundo. Publicou ainda um programa de ações a serem tomadas para que os países integrantes da Organização das Nações Unidas se recuperem da crise adequadamente. Como parte do programa de recuperação da pandemia, a FAO lançou um mapa interativo contendo informações sobre sistemas alimentares do mundo todo.

A organização Ceres2030, publicou um estudo onde aponta que serão necessários 10 bilhões de dólares em investimentos relacionados a segurança alimentar, para impedir que a pandemia cause uma crise alimentar global.

No Brasil, o PL 735 foi aprovado pelo Senado e agora precisa ser sancionado pelo Presidente da República. O projeto prevê auxílio financeiro e renegociação de dívidas para agricultores familiares, entre outras medidas para conter uma possível crise de desabastecimento e combater a fome no campo.



COVID-19 & Alimentação escolar.

Com o fechamento das escolas, milhares de crianças ficaram sem acesso à merenda escolar. Para muitas, a única refeição do dia.

Em junho, a Campanha Nacional Pelo Direito à Educação publicou o relatório "Guia COVID-19 Alimentação Escolar", que consiste em um compilado de informações e orientações sobre o tema. Em julho, o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional lançou, em parceria com a Associação Nacional de Agroecologia, a campanha “Agricultura familiar é saúde na alimentação escolar”.

Este mês, um questionário da defensoria pública do estado do Rio de Janeiro apontou a ineficiência das políticas de entrega da merenda durante a pandemia.

A prefeitura do Rio de Janeiro se disponibilizou a entregar cartões alimentação, medida criticada pelo Idec pelo baixo valor distribuído não representar garantia de segurança alimentar. Recentemente, a prefeitura anunciou a reabertura dos refeitórios. Contudo, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação entrou na justiça, que proibiu a reabertura.


COVID-19 e Padrões de consumo.

Segundo relatório da FAO Americas, a pandemia ocasiona a piora da qualidade das dietas de diversas formas. Entre elas se destacam o menor poder de compra para adquirir alimentos saudáveis e o aumento do consumo de alimentos ultra processados com alto teor de gordura, sódio e açúcar.

Apesar do consumo de refeições prontas ter aumentado, houve redução no consumo das bebidas açucaradas em todo o mundo, causando queda no lucro de empresas como Coca-Cola e Nestlé. O principal motivo é o fato de que não estamos mais participando de atividades sociais que induzem a um maior consumo desse alimentos (cinemas, teatros, bares, restaurantes, estádios…).


COVID-19 & Obesidade.

A mudança nos padrões de consumo relacionadas à crise, junto ao sedentarismo e ao aumento dos índices de ansiedade e depressão, causam o aumento do sobrepeso e da obesidade no mundo todo. Um estudo da USP demonstrou ainda aumento da glicemia em diabéticos durante a pandemia.

Pensando nisso, o governo do Reino Unido adotou um conjunto de políticas públicas para combater a obesidade.