• comida do amanhã

Sistemas Alimentares e COVID-19: atualizações Fevereiro 2021

Nós do Instituto Comida do Amanhã seguimos acompanhando os impactos da pandemia de coronavírus nos sistemas alimentares. Abaixo, nossa seleção de atualizações dos últimos meses.

Clique aqui e confira os posts dos meses anteriores!

COVID-19 & Fome.

Segundo a Organização das Nações Unidas, a fome aguda deve aumentar em mais de 20 países. Iêmen, Sudão do Sul e Norte da Nigéria estão no topo da lista, mas a insegurança alimentar também avança em países desenvolvidos como Espanha e Portugal. No mundo todo, o preço dos alimentos sobe mais rápido que a média salarial e acima também da inflação.

No Brasil, o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no contexto da pandemia da COVID-19, publicado pela Rede PENSSAN, atesta as dimensões da crise alimentar que já vínhamos acompanhando: mais de 19 milhões de brasileiros em situação de fome em 2020 (insegurança alimentar grave) e mais da metade da população (116 milhões de pessoas) sem garantia de acesso regular a uma alimentação adequada e suficiente.

Após pressão de várias organizações, instituições e sociedade civil, o governo federal reativou o auxílio emergencial, mas com metade do valor ofertado no ano anterior. O novo auxílio emergencial de R$175 a R$350 não é suficiente para cobrir a linha da pobreza em nenhum estado do país e não compra nem um terço dos itens de uma cesta básica. Por “linha da pobreza” entende-se a renda mínima que permita a um indivíduo fazer a ingestão necessária de calorias em um dia e atender necessidades básicas como higiene.

Em resposta à crise, os governos subnacionais prorrogaram seus programas próprios de auxílio emergencial antes da liberação do novo auxílio pelo governo federal. No estado do Rio de Janeiro, 10,65% da população está vivendo com menos de R$246 mensais.

O Programa Mundial de Alimentos renovou o pacto de combate à fome com a instituição Ação da Cidadania.

Confira abaixo projetos que estão aceitando doações:


COVID-19 & Alimentação escolar.


Segundo a UNICEF, em um relatório lançado em Novembro de 2020, devido ao fechamento das escolas, aumento da miséria, violência, falta de acesso aos serviços essenciais, exclusão digital, entre outros impactos da pandemia, todos os indicadores de desenvolvimento infantil recuaram, atrasando uma geração inteira. O fechamento das escolas significa insegurança alimentar para milhares de crianças ao redor do mundo.


Em meio às discussões sobre reabertura ou fechamento das escolas, dois projetos de lei estão em discussão, editando e prejudicando diretamente o Programa Nacional de Alimentação Escolar, obrigando a inclusão de laticínios e carne suína, retirando a prioridade de compra das comunidades tradicionais e retirando do nutricionista a responsabilidade de montar os cardápios.

Diversas organizações se uniram para assinar uma nota pública contra as alterações propostas sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que têm parecer contrário do próprio Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC).


O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) lançou uma cartilha, junto ao governo do Paraná, para a renovação dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE), que são órgãos de controle social responsáveis por acompanhar a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar em cada localidade, fiscalizar o uso dos recursos e zelar por uma alimentação de qualidade. Os CAEs precisam estar instalados e com mandatos em virgor para que os entes federativos recebam os recursos federais da alimentação escolar, entregues pelo FNDE. Caso o CAE tenha mandatos vencidos, o FNDE fica impedido de fazer os repasses do PNAE para o respectivo estado ou município.


COVID-19 & Padrões de consumo.


Durante a pandemia, o setor de produtos alimentícios industrializados “saudáveis e sustentáveis” vendeu R$100 bilhões de reais, recorde desde o ano de 2006, quando a empresa de dados Euromonitor International passou a avaliar as vendas no país.

Contudo, conforme divulgado pelo segundo estudo de corte do NutriNet Brasil, os hábitos de consumo relacionados à preocupação com a saúde e meio ambiente só se materializam entre aqueles que possuem maior renda e escolaridade.


O estudo “Sustentável pra quem?” realizado pela Coppe e Facc (UFRJ) , realizado em 2019 e que apresentou recentemente os resultados das fases 1 e 2 do estudo, apontou que a classe média brasileira valoriza e tem interesse em alimentos orgânicos, realmente saudáveis e sustentáveis, mas não consegue acessá-los.



COVID-19 & Obesidade.


No dia mundial de prevenção à obesidade (04/03/2021), várias instituições publicaram conteúdos sobre o tema em suas redes sociais. Destacamos o “World Obesity Day no Painel Brasileiro da Obesidade” do Instituto Cordial, evento on-line que reuniu profissionais das Instituições Act Brasil, UERJ, World Obesity Federation, Abeso e Ministério da Saúde para discutir os desafios e a importância de combater estigmas associadas à obesidade.


A cidade de Santiago, no Chile, ganhou o prêmio “Mayors Challenge” da instituição Bloomberg Philanthropie pelo projeto “Juntos Santiago”, onde os alunos são desafiados a se alimentar de forma saudável e praticar atividades físicas em diferentes pontos da cidade, concorrendo a prêmios para a escola como mesas de ping-pong, paredes de escalada, entre outros. O projeto continua na pandemia, com vídeos, jogos e atividades em casa para incentivar o combate à obesidade e cuidados com a saúde física e mental.


O que comemos muda o mundo.


45 visualizações

Posts recentes

Ver tudo