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Sistemas Alimentares e COVID-19: atualizações Dezembro 2020

Nós do Instituto Comida do Amanhã seguimos acompanhando os impactos da pandemia de coronavírus nos sistemas alimentares. Abaixo, nossa seleção de atualizações do mês de dezembro de 2020.


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COVID-19 & Fome.

Ao longo de 2020, a cesta básica ficou mais cara em todas as capitais do país, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. E em todo o país, a alta no preço dos alimentos pesou mais no orçamento das famílias mais pobres. O preço de itens básicos como arroz, feijão, leite e óleo de soja subiram cerca de 69,5%, 40,8%, 25% e 94,1%, respectivamente. Enquanto itens mais consumidos pelas famílias de maior renda, como passagens aéreas e itens de recreação, tiveram queda nos preços durante os onze primeiros meses de 2020.

O salário mínimo atingiu o menor poder de compra dos últimos 15 anos, sendo o suficiente para comprar apenas 1,58 cestas básicas de 13 itens por mês, o que está levando mais brasileiros a diferentes níveis de insegurança alimentar.

Em São Paulo, a distribuição de 3.000 kits de alimentos pela CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) gerou filas quilométricas e aglomerações. As “filas da fome” têm sido um retrato frequente do aumento da insegurança alimentar durante a pandemia.

COVID-19 & Alimentação escolar.

No estado do Rio de Janeiro, as aulas presenciais para a rede de ensino estadual retornarão em março, para 70 mil alunos em situação de vulnerabilidade social (o que representa 10% do total).

Os municípios começaram a discutir o início do ano letivo e retorno das aulas presenciais na rede municipal pública. Na rede privada, as atividades presenciais retornaram em setembro do ano passado. O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) e o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio) afirmam que o retorno só pode ocorrer com a vacinação de toda a comunidade acadêmica, pois as unidades de ensino não têm condições iguais de retorno com higiene e isolamento.

Enquanto isso, a Prefeitura do Rio de Janeiro chegou em dezembro com acúmulo de pagamentos atrasados no cartão de alimentação escolar, que deveria ter distribuído o valor de R$54,25 à 641 mil estudantes da rede municipal. Devido ao atraso, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro entrou na justiça solicitando o bloqueio das contas da Prefeitura e criou um formulário para verificação virtual de quantos alunos estão recebendo o aporte.

Das 1990 respostas ao formulário, 720 famílias afirmaram não ter recebido a recarga de nenhum dos alunos.

O Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, Ação da Cidadania, FIAN Brasil, Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o Movimento Sem Terra (MST), e a Comissão de Presidentes(as) de Conselhos Estaduais de Segurança Alimentar e Nutricional, uniram-se para pedir a prorrogação do estado de calamidade, de modo que os estados e municípios possam continuar distribuindo kits merenda para as famílias de alunos em isolamento.

Confira aqui os guias produzidos pela Organização das Nações Unidas para manter a alimentação escolar durante a pandemia e como realizar corretamente a reabertura das instituições de ensino.

COVID-19 e Padrões de consumo.

Um estudo publicado na revista científica MDPI Nutrients avaliou o consumo de ultraprocessados e nível de atividade física entre adolescentes durante a pandemia, comparando cidades de diferentes regiões da América Latina (como o Rio de Janeiro, no Brasil) e da Europa. Os resultados apontaram aumento no consumo destes produtos alimentícios e redução da atividade física, principalmente na América Latina, hábitos que contribuem para o desenvolvimento de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis. Os dados brasileiros foram levantados pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro (UFRJ), Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteir (UFRJ) e Escola Nacional de Saúde Pública (Fundação Oswaldo Cruz).

O consumo de bebidas alcoólicas subiu durante a pandemia no Brasil, principalmente entre os jovens, o que levou ao crescimento da indústria de cervejas.

COVID-19 & Obesidade.

A organização ACT Brasil organizou um seminário on-line, como parte do curso para gestores do SUS, de políticas públicas municipais e enfrentamento da obesidade, em parceria com o Instituto de Nutrição Annes Dias (UERJ).

Em relação à vacinação contra o novo coronavírus, os indivíduos com obesidade estão incluídos na fase 3 do plano de vacinação nacional, por serem considerados grupo de risco. Contudo, não há datas de início ou término de distribuição das doses.

O que comemos muda o mundo.


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