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“O retorno do Brasil ao Mapa da Fome é inaceitável.”

Atualizado: Set 18


“O retorno do Brasil ao Mapa da Fome é inaceitável”

Instituto Comida do Amanhã e Professor José Graziano da Silva

O ex-diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Professor José Graziano da Silva, e o Instituto Comida do Amanhã, think tank que trabalha para a promoção de alimentares saudáveis e sustentáveis, manifestam preocupação, repúdio e indignação pelo retorno da fome como problema estrutural no país.


Como foi amplamente divulgado, os resultados da Pesquisa do Orçamento das Famílias (POF) do IBGE, realizada de junho de 2017 a julho de 2018, apontaram que a fome (insegurança alimentar grave) atingiu mais de 10 milhões de brasileiros nesse período - representando uma fatia de quase 5% da população de nosso país.


Como os dados divulgados pelo IBGE são de 2017-2018, esses números tendem a ser ainda mais alarmantes, já que não consideram o impacto da crise econômica agravada pela pandemia do COVID-19. No meio rural, os dados são ainda mais graves: a fome ultrapassa a 7%. E a insegurança alimentar grave é ainda mais severa em domicílios chefiados por negros, mulheres e na região do Nordeste.


O anúncio de hoje ocorre cinco anos depois de a FAO declarar que o Brasil não fazia mais parte do Mapa da Fome. Segundo o IBGE, a insegurança alimentar grave no Brasil havia caído de 6,9% da população em 2004, para 5,0% em 2009 e para 3,2% em 2013.


Estes avanços se deveram, no passado, à aplicação de políticas públicas de transferência de renda e de segurança alimentar e nutricional adotadas durante esse período que ficou conhecida como estratégia Fome Zero, como o fortalecimento do Programa Nacional de Alimentação Escolar com compras diretas da agricultura familiar, a reinstalação do CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) e o fortalecimento de políticas como Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).


A fome não pode ter mais lugar.


Nota - Volta ao Mapa da Fome
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