• comida do amanhã

A Declaração de Glasgow - sistemas alimentares e o papel dos governos locais rumo à COP 26.

Foi lançado no dia 14/12, em evento online, a Declaração de Glasgow sobre Alimentação e Clima para a próxima Conferência das Partes das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26).



O documento pretende unificar vozes de diversos governos subnacionais, se comprometendo no desenvolvimento de políticas alimentares integradas e na promoção de mecanismos de ação conjunta, de forma integrada com os objetivos do desenvolvimento sustentável e orientado para a redução dos impactos danosos dos sistemas alimentares não só para as mudanças climáticas, mas também para desafios mais amplos de sustentabilidade - perda de biodiversidade, injustiça social, equidade, resiliência, alimentação saudável a todos, com participação de diversos atores chaves e incluindo as vozes de grupos mais vulneráveis.

A declaração aponta também o papel fundamental da ação de governos nacionais e internacionais para permitir a construção de sistemas alimentares integrados, liderando a construção de marcos institucionais e políticos e de estruturas de governança para ações multi-nível e de forma coordenada, inclusive considerando as políticas nacionais centradas no direito à alimentação como parte das suas revisões das INDC - contribuições nacionalmente determinadas de comprometimento dos países para o acordo climático de Paris.


A vigésima sexta edição da principal cúpula da ONU para debate das questões climáticas (COP), que iria ocorrer este ano, foi adiada devido à pandemia de coronavírus e acontecerá em Glasgow (Escócia) entre os dias 1 e 12 de novembro de 2021. Se espera que a COP26 - enquanto órgão supremo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) - seja o marco mais importante de combate ao aquecimento global desde a COP 21 (em 2015, onde foi assinado o Acordo de Paris) e a declaração de Glasgow aposta que esta é uma oportunidade chave de trazer os sistemas alimentares para o foco de ação nas respostas à emergência climática. Ela é um documento que bebe da fonte de uma série de compromissos globais que vêm sendo desenhados nos últimos anos, apontando o papel fundamental das cidades nos sistemas alimentares e nos seus impactos climáticos - Pacto de Milão sobre Política de Alimentação Urbana, de 2015; a declaração de Seoul de 2015 liderada pelo ICLEI, a Nova Agenda Urbana (2016 - UN-HABITAT) e a declaração Good Food Cities, liderada pelo C40 em 2019.