• Alba Cánovas

A reconexão com as raízes


Mês passado minha mãe me deu a noticia de que meu avô teria que ser operado. Nada grave, mas fiquei preocupada porque ele já está velhinho e toda cirurgia é um risco. Dá um aperto no coração e um nó na barriga ter que enfrentar estes momentos à distância. Se eu tivesse falado com ele ao telefone ele teria feito piadas em tom nervoso, para disfarçar a preocupação, ou não teria contido as lágrimas. Coisas de geminiano.

Neste mês fiquei pensando muito nele, mandando todas minhas energias positivas e lembrando tudo que a gente passou junto. Meu avô era agricultor na minha cidadezinha da Catalunha, na Espanha, de apenas 18 mil habitantes (aproximadamente quatro mil na época). Não sei muito sobre esse período, além da guerra e das desgraças que eles passaram. Meus avós nunca querem falar muito dessa época, para não lembrar. Muito trabalho duro, escassez, fome e repressão política. Em um lugarzinho costeiro do Mediterrãneo, de um povoado nascido da exploração mineira como apenas uma colônia de trabalhadores, acabou nascendo minha cidade. Nada demais, mas é aquele carinho que eu chamo de lar. Com uma praia simples e gostosa no verão, com seus campos de agricultores ao redor e com alguns morros não muito altos atrás da cidade, onde precipitam as chuvas de inverno. Na minha região, chamada Maresme, que se espalha pela costa ao norte de Barcelona, existem vários cultivos autóctonos. Cultivos estes que, de uma forma ou outra, me conectam à terra, à profissão do meu avô e a ele diretamente, dentre outras lembranças da infância e da adolescência.

Fonte: Consell Comarcal del Maresme http://www.ccmaresme.cat/seccio.php?id=38

Feijão (novembro-março)